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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O DIÁRIO DE LENNON (segundo dia)


A seguir mais um capítulo da história do vendedor de pamonhas "John Lennon"....

Boa leitura....


A cada dia uma nova surpresa. Agora passo a me dar conta da responsabilidade que é ter esse diário em mãos. Não é um mera descrição do cotidiano de um vendedor de pamonhas. É a descrição em detalhes da vida de um ser humano. De uma pessoa que não sei porque diabos jogou a sua agenda em cima de mim com a intenção de presentear um senhora que estava sentando ao meu lado. Porque tinha que ser eu? Porque eu não deixei aquela agenda lá mesmo no ônibus?
Abaixo publico na íntegra o segundo dia do diário escrito por John Lennon Souza da Silva.


O DIÁRIO DE LENNON (segundo dia)




Hoje é o segundo dia que estou escrevendo. E para falar a verdade não sei até quando vou escrever este diário. A cada dia que passa eu chego mais cansado em casa. Ficar em pé durante horas e horas debaixo de um sol escaldante na estrada acaba com qualquer um. Mas juro que vou tentar até onde posso. Até porque se tem uma qualidade em mim que eu admiro (talvez a única que tenho) é ser persistente. Não desisto tão fácil das coisas.
Um grande exemplo da minha persistência é que aprendi a ler sozinho. Aos seis anos de idade. Como a minha família sempre foi nômade, e o máximo que morávamos numa cidade era seis meses, nunca pude frequentar uma escola do começo ao fim igual aos garotos da minha idade. Só quando chegamos aqui em Santa Isabel é que definitivamente paramos a nossa migração. Ainda bem. Não aguentava mais essa vida de caixeiro viajante.
Mas enfim... Deixa eu falar agora da minha experiência autodidata com a leitura. Como disse anteriormente aprendi a ler sozinho com seis anos. Na época morava num puteiro na cidade de Imperatriz, no Maranhão. A minha única fonte “didática” de leitura eram revistas de fotonovelas pornográficas que a dona do puteiro comprava semanalmente para dar para suas funcionárias. Como a minha não sabia lê, ela apenas olhava as fotos e depois guardava as revistas debaixo do nosso colchão.
A minha curiosidade em desvendar aqueles códigos que ficavam em balãozinhos em cima da cabeça de pessoas nuas era tanta que acabei inventando um próprio método de aprendizado. Não me perguntem como, mas inventei. O engraçado é que ao invés de soletrar palavras como: casa, navio e bola como qualquer pessoa que está começando a ler de forma convencional, separando sílaba por sílaba, as primeiras palavras que soletrei foi buceta, pica, safada. Eu confesso que tenho vergonha de falar isso. Mas, é a pura verdade. Essas eram as palavras mais repetidas em todas as fotonovelas que lia na época.
Entrei na escola com dez anos de idade. Eu era o quase o “tiozinho” da turma, todos os meus colegas de classe tinham cinco anos, imaginem só. O que me salvou foram as frequentes leituras pornográficas. Como os professores perceberam que eu já sabia lê fluentemente, eu fui remanejado para três séries adiante. E já comecei a estudar valendo na segunda série. Hoje falo para minha que eu sou um leitor assíduo graças àquelas revistas pornográficas.


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