Seja Bem Vindo

Este Blog foi criado com o objetivo de possibilitar uma maior interação entre minhas atividades e àqueles que por elas se interessarem.
Espero que gostem.
Antecipo meus agradecimentos e não esqueça de deixar seu comentário.
Sugestões pelo e-mail.
Obrigado pela visita.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O DIÁRIO DE LENNON (quinto dia)

Em busca de John Lennon (parte III)


Depois de quase meia hora tentando convencer o frentista sobre a importância de conversar com a mãe do Lennon, o homem decidiu me levar na sua casa. Exigindo uma série de restrições, disse que eu não poderia fotografar sua esposa e muito menos publicar essa história. Para ter certeza de suas exigências, pediu ainda para eu abrir a minha mochila e mostrar se não tinha nenhum tipo de gravador ou câmera escondida.
Após toda a averiguação e confiante que eu não iria publicar nada sobre o caso, pediu ao gerente do posto para que o liberasse por alguns instantes, pois “precisava resolver um assunto muito sério”. Disse que em meia hora no máximo estaria de volta ao trabalho.
“Ele só me liberou porque hoje é domingo e geralmente o movimento é fraco nesse dia”, disse o frentista assim que entramos numa Kombi bege, ano 94, usada para serviços do posto de gasolina. No caminho para a casa dele nenhuma palavra. Todas as vezes que tentava saber mais sobre a morte do Lennon, saber o quê e como tudo aconteceu, ele me interrompia dizendo “a minha mulher vai te falar tudo”.
Após uns dez minutos de intenso silêncio dentro da Kombi, chegamos a uma chácara, localizada na BR-316. Assim que entro na casa do frentista, mais uma surpresa. A esposa dele e provável mãe do John Lennon é a mesma senhora que estava ao meu lado no ônibus onde toda essa história começou. “Eu sabia que você viria até aqui”, disse a mulher, tentando forçar um sorriso.
Antes de perguntar por que ela tinha armado tudo aquilo, ela pegou em minhas mãos e falou que eu era a única pessoa que podia ajudar a resolver aquela situação. Disse que o John era seu filho e que toda a história escrita no diário era verdade. “Eu me converti à Igreja Universal do Reino de Deus pouco antes do John ser assassinado na estrada. Ele foi morto por aquele motorista de caminhão que é citado no diário. Eu já tinha saído daquele antro de perdição do bar da Loura e a gente já tava pensando em voltar pro Maranhão, o lugar onde nasci, quando o meu John foi morto de forma covarde por aquele caminhoneiro sem alma. Não foi só o meu filho que morreu, eu também fui junto com ele”.
Segundo ela, John foi morto na véspera do Natal quando vendia pamonha na estrada. O assassino foi reconhecido pelos outros ambulantes da estrada, mas consegui fugir. “A intenção mesmo era só se vingar do meu Lennon, do meu menino de ouro”, disse a mãe com os olhos cheios de lágrimas.
Mesmo tentando segurar meu choro, não tive como esconder o quanto fiquei triste com essa história que acabara de ouvir. Afinal, apesar de não ter conhecido John Lennon pessoalmente eu era testemunha e cúmplice da história dele. E antes que perguntasse definitivamente porque ela tinha feito tudo aquilo e porque me escolheram para compartilhar essa história, ela respondeu.
“Assim que o Lennon morreu, o meu filho Lucas fugiu de casa. E segundo me falaram viram o meu filho num documentário que o senhor produziu sobre a Marujada de Bragança. Portanto, só o senhor pode me ajudar. Traga o meu Lucas de volta, por favor. Traga o meu Lucas de volta”.


Abaixo publico na integra o quinto capítulo do diário de John Lennon Souza da Silva.

O DIÁRIO DE LENNON (quinto dia)
A primeira vez a gente nunca esquece


O capitulo de hoje é dedicado ao meu irmão Lucas. Um cara que tenho profunda admiração. Um irmão que qualquer pessoa queria ter. Mesmo cego e deficiente físico, Lucas jamais reclamou da vida. Ao contrário, é ele é um exemplo de superação e está sempre me ensinando a viver.
Entre as inúmeras situações inesquecíveis que já vivemos juntos, vale à pena lembrar aqui da primeira vez que levei o meu irmão num puteiro. Depois de passar duas semanas dando dicas de como se comportar bem na cama, levei ele ao puteiro mais caro de Santa Isabel, que por ironia do destino fica no segundo andar de um prédio onde funciona uma igreja evangélica.
Devido a falta de acessibilidade para cadeirantes, tive que pedi ajuda para dois seguranças que trabalham no puteiro para consegui colocar o Lucas dentro do ‘estabelecimento dos prazeres”. Eu preferia mil vezes, que tudo acontecesse em casa, era só ligar para o puteiro e a mulher viria em casa, igualzinho aqueles serviços de entrega em domicilio, mas o Lucas disse que não. “Eu quero vivenciar o ambiente, aqui em casa não vai ter graça”, dizia ele.
Dentro do local, escolhi a dedo a mulher com quem meu irmão iria perder o cabaço. Mas claro, a decisão final era dele. “Primeiro você escolhe com os olhos e depois eu escolho com as mãos. Preciso sentir se ela é bonita mesmo. Afinal é com as mãos que eu vejo”, dizia. Após uns des minutos de indecisão entre uma loura de 20 anos e uma ruiva de 40, ele preferiu ficar com a segunda opção.
Uma coisa eu sabia, o meu irmão estava em boas mãos. Afinal conforme ela mesma nos disse eram quase 30 anos de experiência. Mas, mesmo ela dizendo que era uma das mais requisitadas para tirar o cabaço dos jovens de Santa Isabel e que meu irmão iria ter uma noite maravilhosa, eu fiz questão de acompanhar eles até a porta do quarto para passar as últimas instruções. Nada podia dar errado naquela noite.
Não podia. Mas deu. Lucas foi com tanta sede ao pote que a ruiva não aguentou e teve uma parada cardíaca lá mesmo no quarto e morreu. A confusão foi geral, o dono do puteiro e os seguranças queriam nos linchar na mesma hora. A sorte foi que a mulher do dono era uma ex-colega de trabalho da mamãe e nos conhecia. Ela disse que a culpa não era nossa e nos mandou embora no mesmo instante. Não sei como, mas eu consegui descer uma escada imensa sozinho segurando o Lucas sentado na cadeira de rodas. Foi o medo, só pode ter sido o medo.
No caminho para casa o Lucas não falou uma palavra. Aquele silêncio dele me incomodava bastante, mas eu precisava respeitar. Afinal, a noite tinha sido péssima para a gente. Assim que chegamos ao portão de casa, ele olha para mim com um cara de frustrado e diz com um tom de serenidade “Sabe o que foi o pior de tudo, Lennon”. Não, o que foi. “É que eu nem consegui gozar, acredita”. O riso foi geral. Não conseguimos parar de ri... Esse é o meu irmão!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O DIÁRIO DE LENNON (quarto dia)

Em busca de John Lennon (parte II)


Entre dezenas de revistas e livros expostos ao lado do balcão de atendimento da loja de conveniência, três livros chamaram a minha atenção. Visivelmente feitos de forma artesanal, os livros, cada qual com uma capa diferente, apresentavam o mesmo título. “O Diário da vida de John Lennon”. Era exatamente a mesma história que estava na agenda da Seduc, a única diferença é que agora tinha sido reproduzida numa máquina de escrever e grampeada com folhas de papel reciclado.
Os livros não traziam nenhuma informação a mais daquelas disponíveis na agenda. Tudo seguia a risca. Cada capítulo e subcapitulo do diário que estava em minhas mãos. O quebra-cabeça sobre o verdadeiro paradeiro do pequeno vendedor de pamonhas de Santa Isabel começava a ficar cada vez mais enigmático.
Perguntei ao balconista sobre a origem daqueles livros e ele disse que foram deixados na loja por uma senhora que visitava frequentemente o posto de gasolina. “Os livros estão aqui há um ano e até agora ninguém comprou. De vez em quando a mulher vem aqui para saber se algum já foi vendido”, disse o rapaz do balcão.
Pedi para ele me dar mais informações sobre essa tal mulher. Mas a priori, ele não parecia nenhum pouco disposto. Muito desconfiado, só começou a descrever as características dela depois de ter me perguntando pela terceira vez consecutiva se eu era policial. Disse que ela aparentava ter em média uns 45 anos, negra, um pouco gorda, baixa estatura, cabelos pintados por uma cor que lembrava castanho claro e costumava usar longas saias.
Com exceção das saias, todas as características descritas pelo rapaz do balcão eram as mesmas da mãe de John Lennon. Tal qual o pequeno vendedor escreveu no diário. Comecei a juntar as informações e cheguei a uma conclusão. Agora as coisas pareciam fazer sentindo. Só poderia ser mesmo a mãe do John. Mas onde ela mora? Como eu vou encontrá-la?
“O que você quer com a minha mulher?”. Disse um frentista do posto anexo que entrara na loja para tomar café e permaneceu ali ouvindo toda a minha conversa com o balconista. O homem de aproximadamente 50 anos, de cabelos grisalhos e com um dos dentes caninos de ouro falou que aqueles livros eram produzidos por sua mulher e que se eu fosse jornalista era melhor dar meia volta porque a mulher dele não iria se expor. “A minha esposa é uma mulher de família, evangélica e não gosta de está se mostrando. Ela só faz esses livros aí porque isso foi o ultimo pedido do filho dela antes de morrer”.
Antes de morrer? “Exatamente isso”, enfatizou o frentista. “O John Lennon morreu há mais de um ano”.
Abaixo publico na integra o quarto capítulo do diário de John Lennon Souza da Silva.

O DIÁRIO DE LENNON (quarto dia)
O dia da minha mãe


Quero dedicar o capitulo de hoje para a minha mãe. Dona Mariana Souza da Silva. Batalhadora mãe de 12 filhos e que hoje completa mais um ano de vida. Ah, sim antes de contar qualquer coisa, preciso esclarecer aqui uma informação que dei no primeiro dia em que comecei a escrever este diário. Minha mãe não está grávida. Aqueles enjôos que ela estava sentindo não eram sinais de mais uma gravidez. Ainda bem.
Tem duas coisas na minha mãe que eu nunca entendi. A primeira é que ela nunca usou saia e a segunda é que ela prefere correr o risco de engravidar mais uma vez do que se operar para não ter mais filho. Em minha opinião, para o trabalho que ela exerce deveria ser obrigatório fazer essa cirurgia das trompas. Não dá para confiar apenas em preservativos. Meus dois últimos irmãos foram frutos de camisinhas estouradas.
A respeito do uso de saia, desde pequeno eu ouço a seguinte máxima em casa “Saia é coisa de mulher submissa. Eu jamais vou usar saia. Porque eu posso ser puta, meu filho. Mas submissa eu não sou”, dizia minha mãe para quem quisesse ouvir. O seu grande orgulho sempre foi não ter um marido para dar satisfações, dizia que homem só era bom na cama e de boca fechada.
Acho que o fato de ser um cara que também não gosta de dar satisfações para ninguém foi a herança mais forte que recebi dela. Em outras questões somos completamente diferentes. Se eu fosse ela já tinha mandando a Loura “tomar no cú” há muito tempo e já teria saído daquela espelunca onde trabalha. Em relação à paciência, minha mãe é quase um monge budista perto de mim.
Não sou de briga e também detesto violência, mas tenho que admitir que paciência é uma coisa que não tenho. Se tenho eu ainda não encontrei. Hoje mesmo tive uma experiência nada agradável em relação a isso. Já era finalzinho da tarde e restavam apenas três pamonhas para vender quando um motorista de um caminhão para ao lado do ponto onde eu fico e compra todas as pamonhas. Ele come as três e depois diz que não vai me pagar porque não tem dinheiro trocado. Ah, aquilo me deixou puto. Eu não sou palhaço. Não fico desde as 6h da manhã naquela estrada para servir de palhaço para os outros.
Ele viu que eu tinha ficado puto com aquilo e na mesma hora abriu a porta da boleia do caminhão e pegou um revolver calibre 38. Disse para eu sair correndo dali se não eu ia morrer naquela mesma hora. Aí eu fiquei cego, não sei até agora como eu consegui enfrentar aquele desgraçado, mas eu enfrentei. Na mesma hora que ele apontou a arma para a minha cara, eu pulei em cima dele para tomar o revólver.
Graças a Deus. Ou sei lá quem, porque para falar a verdade eu não acredito muito em coisas divinas. Mas o certo é que graças a sorte, eu não morri ali mesmo. Assim que pulei para cima dele o revolver disparou e por pouco (Seja por Deus, ou pela sorte) a bala não pega na minha cara. Na mesma hora, todos os meus companheiros que trabalham comigo vendendo produtos na estrada viram aquela cena e também partiram para cima do caminhoneiro filha da puta. Que tenho certeza que a parti de hoje, nunca mais vai enganar nenhum pobre vendedor de beira de estrada.
Ah, sim, só para esclarecer, o desgraçado não morreu. Mas porque eu não quis. O pessoal queria acabar com ele ali mesmo. Eu disse que não. Sempre defendi que ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém, inclusive de caminhoneiros que não valem o que comem. A surra já estava boa o suficiente para ele ter aprendido a lição. Agora preciso ir, estou preparando um bolo junto com o Lucas para fazer uma surpresa quando a minha mãe chegar do trabalho. Afinal hoje é o dia dela.

Extraído http://umalendapessoal.blogspot.com/

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O DIÁRIO DE LENNON (terceiro dia)

Em busca de John Lennon


Depois de ler todo o diário escrito pelo pequeno vendedor de pamonhas de Santa Isabel-PA e passar a semana inteira angustiado não contive minha curiosidade. Queria conhecer de perto o dono daquela história surpreendente. Saber mais detalhe sobre uma autobiografia que por ironia do destino caiu em minhas mãos.
Disposto a voltar ao local onde toda essa história começou, arrumei minha mochila com um kit de sobrevivência básico como água, biscoito, maçã, caderno de anotações e máquina fotográfica. Era o que precisava para me ajudar na missão “em busca de John Lennon”.
Decidi pegar a estrada de madrugada. Queria chegar cedo ao local onde a maioria dos ambulantes de Santa Isabel se concentra na BR-316. Não sou de acordar cedo, além do mais no domingo, quem me conhece sabe. Mas a história do John Lennon isabelense me movia. Era a pauta que eu pedia a Deus.
Cheguei ao exato local em que pretendia pouco depois que o sol acabara de nascer. Os primeiros raios solares ainda estavam despertando e eu já estava ao lado da estratégica “lombada gigante” da BR. No lugar tinha o dobro de vendedores de pamonhas da vez passada, além de outros dez ambulantes vendendo camarão, água, tangerina e biscoito de polvilho.
Perguntei para todos, sem exceção, se eles conheciam um vendedor chamado John Lennon. A resposta foi unânime. Não. Ninguém nunca ouviu falar. Mostrei a agenda da Seduc, falei das características que tinha lido sobre ele. Indaguei se não conheciam nenhum barzinho chamado “Bar da Loura”, local onde segundo o diário, a mãe do John trabalhava. Mas a resposta foi a mesma. Não.
Ninguém, nenhum daqueles vendedores jamais ouviu falar num puteiro chamado ‘Bar da Loura’ e muito menos num garoto chamado John Lennon Souza da Silva. E o pior de tudo. Falaram que segundo a lei da estrada (ou seja, a lei que eles mesmos inventaram), nenhum vendedor de outra cidade pode vender ali naquele local. Esse relato me fez na mesma hora descartar a possibilidade do John ser morador de outra cidade. E agora? “A lei aqui é bem clara. Se vier algum vendedor de outra área pra cá que não seja de Santa Isabel. A gente bota pra correr... Ah, bota!”, enfatizou em voz alta um vendedor de camarão, que não parecia nada feliz com a minha presença ali.
Logo após a conversa com os ambulantes e ainda muito confuso com aquela situação toda, fui tomar café numa lojinha de conveniência anexa a um posto de gasolina, a poucos metros dali. Dentro da loja, fui novamente surpreendido. A história do John voltava a me atormentar...


Abaixo publico na integra o terceiro capítulo do diário de John Lennon Souza da Silva.


O DIÁRIO DE LENNON (terceiro dia)

Como disse anteriormente, não sei até quando vou escrever este diário. Mas já cheguei ao terceiro dia. E caso, pare de escrever agora, nesse momentinho, as pessoas já vão saber, pelo menos um pouquinho da minha história. Mas acho que não vou parar tão cedo, não. Apesar do cansaço de um dia inteiro de trabalho, me sinto bem escrevendo. É como se estivesse registrando para sempre a minha história num documento que ficará por muitos anos aqui.
E outra coisa. Como parei de estudar por conta do meu trabalho. Escrever me deixa um pouco mais inteligente, não sei como. Mas me deixa. Acho que também serve de treinamento para quando eu, quem sabe um dia, retornar à escola. Jamais pensei em abandonar os meus estudos, pelo contrário, mais precisei fazer por livre e espontânea pressão. Minha mãe adoeceu por quase três meses e como sou o filho mais velho que ainda mora com ela, tive que carregar esse fardo sozinho e sustentar toda a família. E sem a ajuda de ninguém.
Dos meus seis irmãos, cinco são crianças e ainda muito novinhos para trabalhar e outro que tem quase a minha idade é deficiente físico e audiovisual. E, portanto, não trabalha. Mas não que ele não queira. O Lucas é um amor de pessoa, de um coração e de uma dignidade maior do que esse planeta. Mas enquanto eu tiver forças para ficar o dia todo trabalhando ele não vai trabalhar. “Oh, mano, me deixa trabalhar. A mãe disse que dá pra eu vender cigarro a noite lá no Bar da Loura”, ele me fala. E claro, eu não sou louco para permitir.
Primeiro porque essa Loura, que ele fala, é a dona do barzinho que a minha trabalha. Na verdade um puteiro disfarçado de barzinho que funciona na beira da estrada. Pensa numa mulher desgraçada, desumana e filha da puta é essa Loura. A minha mãe ficou doente durante dois meses e uns dias e essa loura não teve a coragem sequer de fazer uma visita em casa. Sendo que minha mãe adoeceu trabalhando no bar, quando um outro filha da puta espancou minha mãe depois de ter trepado com ela lá mesmo no estabelecimento da Loura. E mais. A desgraçada dessa Loura falou para a minha mãe não prestar queixa na policia se não iam descobrir que o bar funciona de forma irregular, sem nenhum tipo de alvará.
Com tudo isso como é que eu posso deixar o meu irmão especial trabalhar lá naquele bar vendendo cigarro. Claro que não. Eu não sou doido. Só não denunciei ainda aquela espelunca para a polícia porque a minha mãe disse que não sabe trabalhar com outra coisa e se o bar da Loura for fechado ela (minha mãe) vai estar desempregada. “Eu não sou mais aquela garotinha que vivia viajando de puteiro em puteiro, não. Hoje se eu sair lá da Loura não vão mais me aceitar em lugar nenhum. Eu não tenho mais aquele corpo de vinte anos atrás quando comecei nessa vida”, diz minha mãe, toda vez quando eu falo que vou denunciar a espelunca.
Mas todos esses conflitos que enfrento e todos os outros que certamente enfrentarei não me desanimam. Já falei para todo mundo aqui de casa. Um dia eu volto a estudar e ainda vou ser alguém na vida. Entre os meus planos estão: tirar a minha mãe daquela vida, porque trocadilhos à parte, eu cansei de ser um “filho da puta”; comprar uma casa para a minha família; colocar a Loura na cadeia e claro ser um grande escritor. Mas sei que para isso preciso vender muita pamonha ainda. E agora vou dormir, amanhã escrevo novamente, se não estiver muito cansado.


sábado, 14 de agosto de 2010

Oração da manhã


Numa de minhas manhãs, enquanto lia um trecho da Escritura Sagrada, sem que percebesse comecei a escrever numa folha de papel que estava sobre a mesa.....foi então que percebi que se tratava de uma oração....que chamei de oração da manhã.....

Senhor, meu Deus!

Neste dia quero mais uma vez agradecer por me permitir que eu veja a luz do sol; sinta o suave afago do vento; e caminhe por este mundo que criastes especialmente para mim.

Te agradeço, Deus, pelas pessoas que Tu colocastes em minha vida, e que ajudam a tornar a minha vida verdadeiramente boa, e que me fazem ser um ser humano melhor.

Obrigado, Senhor, pelo alimento que vais me dar hoje; e que este mesmo alimento não falte a nenhum de teus filhos.

Me permita, Deus, que todas as minhas atividades realizadas durante este dia que agora se inicia sejam feitas para exaltar teu nome, e em benefício da construção do Teu reino.

Obrigado Senhor.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Haja o que houver, estarei sempre ao seu lado

É muito difícil você entender que Deus está dentro de você? E dentro de todas as criatura que você encontra, é muito difícil acreditar que Deus está ali?

Procure fazer sempre alguma coisa em seu benefício das pessoas, viu? E pra você também!

Às vezes nem precisa tanto, basta um pequeno gesto de carinho, um sorriso, um abraço, um olhar, um incentivo. Faça isso usando a força e o poder do seu coração. Afinal, você tem um coração belíssimo, enorme... que é seu e que reflete os sentimentos que tem alimentado a sua vida. É de dentro dele que nascem anseios e ansiedades, desejos e vontades, amor e bondade! Saiba lidar com ele e tenha mais ternura com o mundo.

E quando sentir dificuldade de amar, ame o Deus interior que há em cada um! Quando sentir dificuldade de sorrir, de aceitar, de abraçar de perdoar, de olhar nos olhos... faça tudo isso para o Deus que está lá dentro da pessoa. Todos merecem o seu amor! E você merece o amor de todos.

Pois saiba que os erros que qualquer criatura venha a cometer, não a desclassifica nem desqualifica do título de Filho de Deus. Por maior que tenha sido a sua falha, esse ser será sempre um filho muito amado e muito querido!

Todos merecem mais uma chance! Todos! Sabe por que? Tem uma voz gritando sempre assim pra você: "Haja o que houver, estarei sempre ao seu lado, até o final dos tempos. Nunca te abandonarei"

E tem mais: não é a dor que pode ajudar uma pessoa a criar uma relação mais íntima com o seu Criador? A dor sempre se constitui num maravilhoso mecanismo de regeneração proporcionado pelo Universo. Portanto, temos sim que tentar amar os que menos merecem!

Tente agradecer a Deus pela vida das pessoas que você ama pra valer. Mas agradeça também pela vida daqueles que você ainda não consegue amar. Agradeça pela oportunidade de crescer, de se transformar. É assim que você pode ficar mais forte, mais sábio, viu? É assim que vai conquistar um coração cheio de alegria!

Bom Dia! Bom divertimento!

"Cada um pode dar o coração que tem. Encha o seu de amor e de bondade"
Mensagem recebida por e-mail de sac@sabedoriadosmestres.com

O DIÁRIO DE LENNON (segundo dia)


A seguir mais um capítulo da história do vendedor de pamonhas "John Lennon"....

Boa leitura....


A cada dia uma nova surpresa. Agora passo a me dar conta da responsabilidade que é ter esse diário em mãos. Não é um mera descrição do cotidiano de um vendedor de pamonhas. É a descrição em detalhes da vida de um ser humano. De uma pessoa que não sei porque diabos jogou a sua agenda em cima de mim com a intenção de presentear um senhora que estava sentando ao meu lado. Porque tinha que ser eu? Porque eu não deixei aquela agenda lá mesmo no ônibus?
Abaixo publico na íntegra o segundo dia do diário escrito por John Lennon Souza da Silva.


O DIÁRIO DE LENNON (segundo dia)




Hoje é o segundo dia que estou escrevendo. E para falar a verdade não sei até quando vou escrever este diário. A cada dia que passa eu chego mais cansado em casa. Ficar em pé durante horas e horas debaixo de um sol escaldante na estrada acaba com qualquer um. Mas juro que vou tentar até onde posso. Até porque se tem uma qualidade em mim que eu admiro (talvez a única que tenho) é ser persistente. Não desisto tão fácil das coisas.
Um grande exemplo da minha persistência é que aprendi a ler sozinho. Aos seis anos de idade. Como a minha família sempre foi nômade, e o máximo que morávamos numa cidade era seis meses, nunca pude frequentar uma escola do começo ao fim igual aos garotos da minha idade. Só quando chegamos aqui em Santa Isabel é que definitivamente paramos a nossa migração. Ainda bem. Não aguentava mais essa vida de caixeiro viajante.
Mas enfim... Deixa eu falar agora da minha experiência autodidata com a leitura. Como disse anteriormente aprendi a ler sozinho com seis anos. Na época morava num puteiro na cidade de Imperatriz, no Maranhão. A minha única fonte “didática” de leitura eram revistas de fotonovelas pornográficas que a dona do puteiro comprava semanalmente para dar para suas funcionárias. Como a minha não sabia lê, ela apenas olhava as fotos e depois guardava as revistas debaixo do nosso colchão.
A minha curiosidade em desvendar aqueles códigos que ficavam em balãozinhos em cima da cabeça de pessoas nuas era tanta que acabei inventando um próprio método de aprendizado. Não me perguntem como, mas inventei. O engraçado é que ao invés de soletrar palavras como: casa, navio e bola como qualquer pessoa que está começando a ler de forma convencional, separando sílaba por sílaba, as primeiras palavras que soletrei foi buceta, pica, safada. Eu confesso que tenho vergonha de falar isso. Mas, é a pura verdade. Essas eram as palavras mais repetidas em todas as fotonovelas que lia na época.
Entrei na escola com dez anos de idade. Eu era o quase o “tiozinho” da turma, todos os meus colegas de classe tinham cinco anos, imaginem só. O que me salvou foram as frequentes leituras pornográficas. Como os professores perceberam que eu já sabia lê fluentemente, eu fui remanejado para três séries adiante. E já comecei a estudar valendo na segunda série. Hoje falo para minha que eu sou um leitor assíduo graças àquelas revistas pornográficas.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Um vendedor de pamonhas chamado John Lennon


Recebi a recomendação de um amigo para visitar a mais nova postagem de seu blog e me surpreendir com a emocionante história do vendedor de pamonhas chamado John Lennon.....

Gostei tanto que quero compartilhar com vocês........

Boa leitura......


-------------------------------------------------------------------
Nunca gostei de pamonha. Mas sempre que viajo para Bragança, minha terra natal, faço questão de comprar aquelas pamonhas que são vendidas na beira da estrada para dar para minha mãe. Na semana passada, na estrada, dentro de um ônibus, numa viagem de volta para Belém, fui acordado pelos gritos de cinco garotos que em uma só voz gritavam a antológica frase “olha a pamonha, olha a pamonha!”. Era a minha décima tentativa de sono que acabava de ir por água abaixo.
Estrategicamente eles se concentraram ao lado de uma “lombada gigante” próximo de um posto de gasolina, na BR 316. Como o ônibus precisou diminuir a velocidade para passar pelo local, dava para abrir e janela do veículo e comprar o produto na maior tranquilidade, tal qual um “drive thru” dessas redes de “fast food”. Eu confesso que fui um dos poucos passageiros que não comprei a guloseima de milho mais vendida na estrada. Eis aí o meu grande arrependimento.
Se tivesse comprado certamente teria olhado com mais calma no rosto de um dos garotos, mas minha sonolência pró-viagem não deixou. Aumentando os passos porque o ônibus já começava a seguir a velocidade de antes e empolgado por vender mais de uma dúzia do produto para uma senhora que estava ao lado da minha poltrona, um dos meninos tirou de sua mochila uma dessas agendas doadas pela Seduc (Secretária de Educação do Estado do Pará) e jogou no meu colo. “A senhora vai gostar da minha história, tia”, disse o garoto para a mulher ao meu lado.
Com a boca cheia de pamonha e não dando a mínima para o ato do pequeno vendedor, a única coisa que a mulher conseguiu pronunciar foi “Eu vou descer logo ali na frente”. E a agenda? Perguntei. Ainda com a boca cheia ela deu de ombros, se levantou e seguiu para descer do veículo. Ainda insistir sobre a agenda. E nada. Como um curioso nato e assumido, comecei a folhear a agenda e logo na primeira página fui surpreendido com a seguinte inscrição feita de caneta preta “O diário da vida de John Lenon”.Aí meu arrependimento aumentou de vez. Porque não comprei a pamonha? Porque não olhei no rosto daquele garoto. A história dele está agora comigo e eu nem o reconheço se caso o encontrar novamente por aí.
Abaixo, publico na íntegra o primeiro capitulo dessa história emocionante que acabara de conhecer.


O DIÁRIO DE LENNON (Primeiro dia)

Meu nome é John Lennon Souza da Silva. Nunca entendi porque a minha mãe me deu esse nome. Analfabeta e moradora de uma cidadezinha do interior do Maranhão, ela nunca foi fã dos Beatles ou coisa do tipo. Desconfio até hoje que esse nome foi uma invenção da minha tia Izalmira, uma desses parentes metida á besta que todo mundo tem. Mesmo sabendo que eu não acredito, minha mãe morre dizendo que o meu nome foi escolhido depois de um sonho que ela teve... Um sonho internacional, diga-se de passagem. Mas enfim, acho que o fato dela não se “bicar” com a tia Izalmira impede que ela jamais admita que a idéia do meu nome tenha surgido da mente insana da minha tia metida à besta.
Sou o sétimo filho de um total de 12 irmãos. Mas só conheço seis. Os outros estão espalhados por “esse mundão de meu Deus”, como minha mãe costuma dizer. Quando nasci o meu irmão mais velho já tinha deixado a nossa casa há muito tempo. Na verdade esse é o destino de todos que completam a maioridade aqui em casa. Daqui a dois anos vai ser eu. Confesso que ainda não estou preparado para morar em outro lugar, mas enfim... Querendo ou não querendo preciso cumprir minha sina. Afinal essa é a regra da nossa casa, segundo minha mãe. “Só espero que você seja diferente. Não seja igualzinho teus irmãos que foram embora e esqueceram da gente”, diz indignada minha mãe, que sempre carregou sozinha o fardo de sustentar os filhos.
Ah, sim... Ia esquecendo de falar uma coisa primordial (é a primeira vez que estou escrevendo esta palavra, li num livro e achei bonita) para entender a vida da minha família. Minha mãe é prostituta num barzinho de beira de estrada, na BR 316, próximo da cidade de Santa Isabel. Todos os filhos que ela já teve foram segundo ela mesma fala “acidentes de trabalho”. Mas apesar de nenhuma cria ser planejada, ela nunca abortou, abandonou nem entregou os filhos para ninguém. Tanto é que já foram doze e eu acho que vem mais um aí. Semana passada eu vi ela reclamando de enjôos...acho que aconteceu mais um “acidente de trabalho”.
O legal da nossa família é a diversidade de cores. Negros, pardo, louro de olhos azuis...tenho irmão de tudo que é tipo. Somos uma família tipicamente brasileira. E... Por enquanto é só, amanhã escrevo de novo, estou muito cansado agora, preciso dormir. Amanhã tenho que acordar cedo para vender pamonha na estrada... Até amanhã!


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Conversa sobre Educação Ambiental na Fazenda da Esperança


No último sábado tive uma experiência bastante interessante e proveitosa. Participei do Seminário "Agroecologia e Educação Ambiental", realizado na Fazenda da Esperança, em Bragança (Pa), e promovido pelos acadêmicos concluintes do curso de Geografia do IESPA, Campus Bragança.
Tive a oportunidade de conhecer o belo trabalho realizado na Fazenda da Esperança e conversar com os internos sobre Educação Ambiental.
Dentre os pontos discutidos ficou a certeza de que somente um trabalho de sensibilização sobre a nossa necessidade de mudança dos atuais padrões de consumo nos possibilitará que salvemos o planeta.
Ficou também o exemplo de superação, ou a busca por ela, que é a marca daqueles que ali me escutavam.