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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ministrar aulas pelo rádio é desafio

Edição de 06/12/2009

Sem o quadro - Professor diz que é preciso usar a imaginação para incentivar alunos

CASTANHAL

Do correspondente

Luciano Borges, como os outros oito professores que compõem o quadro do Serb, não fez cursos para aprender a lidar com a ferramenta rádio. Aprendeu com os professores mais antigos a ditar as lições de forma clara, nos programas ao vivo, e a organizar as aulas para conseguir cumprir o programa escolar. 'Todos nós viemos de uma experiência de escola regular, de sala de aula convencional. Ir para o rádio, dar aula, é um desafio que nem todo mundo consegue vencer', diz.

'Na hora que começa a aula, a gente imagina que ali na nossa frente está o aluno. Tenta criar uma relação com ele. Chamando a atenção e incentivando para que resolva os exercícios, que reserve um tempo do dia para fazer a leitura do material', conta a professora Sônia Bessa, de história. 'O sucesso do aluno depende muito do empenho. Eu sempre digo assim, ‘eu sei que vocês trabalham demais, que são muito ocupados, mas se dediquem, reservem um tempo pro estudo', diz a professora. Com os alunos, ela tenta manter uma relação cordial, de estímulo e confiança. 'Depois, eles até comentam as aulas. Se sentem à vontade para mandar recadinhos, bilhetes para a rádio. Vem sempre um dizendo ‘professora, me desculpe, não se ofenda, mas na aula da semana passada, a senhora falou muito devagar, ou correu demais', diz Bessa, sem esconder a satisfação da relação que mantém com os estudantes ouvintes.

De quinze em quinze dias, os professores recebem os alunos do EJA na escola para o 'reforço' - um tira-dúvidas presencial, na sede da rádio Educadora. É quando os mestres podem acompanhar de perto o desenvolvimento de cada aluno. De bicicleta, a pé, ou de carona, eles chegam à escola, geralmente bem arrumados, com o material debaixo do braço. A maioria dos freqüentadores dos 'reforços' é mulher. Entre elas, são maioria as mães, adultas, fora da idade escolar.

Extraído de O Liberal
http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=247&codigo=446550

Rádio ajuda a educar quem vive no interior

Edição de 06/12/2009

No Pará - Programas transmitem aulas para os que estão longe das facilidades do mundo moderno

FILIPE SANCHES

De Bragança (PA)

As aulas pelo rádio, aos moldes das que eram incentivadas e mantidas pelo governo federal nas décadas de 60 e 70, sobrevivem nos rincões do Estado do Pará. Em comunidades onde a energia elétrica depende de geradores a diesel, onde internet e inclusão digital são termos desconhecidos pela maioria dos moradores, as ondas médias e tropicais ainda propagam lições do ensino básico. De Bragança, nordeste do Estado, uma rádio-escola tradicional, sustentada hoje sem a ajuda financeira do governo, transmite diariamente aulas para quem ainda não concluiu o ensino fundamental. O sinal da Educadora AM, na frequência dos 1390 KHz, é captado em duas dezenas de municípios da região bragantina e em parte do sudeste paraense. Os registros de alunos do Sistema Educativo Radiofônico de Bragança, o Serb, indicam que 95 mil pessoas cursaram e concluíram a primeira etapa dos estudos ouvindo as lições pelo rádio. A Educadora AM, aos 49 anos, coleciona histórias de vitória e superação. Entre os ex-alunos, estão empresários, políticos e professores.

Por décadas, o governo federal investiu em programas de educação à distância pelo rádio na tentativa de usar o meio de comunicação mais popular entre as comunidades rurais para levar o ensino a localidades em que o acesso a escolas era dificultoso. O mais conhecido deles foi o Minerva, criado durante o regime militar e mantido por mais de uma década em esquema de transmissão obrigatória nas rádios brasileiras. Voltado para a educação de jovens e adultos e com a meta de reduzir os índices de analfabetismo no interior do Brasil, o Minerva sucumbiu ao baixo índice de aprovação de seus alunos nos exames supletivos de capacitação. O programa didático simplificado e a falta de estrutura para o atendimento presencial dos alunos nas regiões norte e nordeste, ainda hoje as com maiores carências educacionais, sepultaram de vez o programa. Outras iniciativas, em nível regional, nasceram e definharam sem apoio, ao longo dos anos. A maioria delas perdeu espaço para a televisão e para métodos de ensino à distância baseadas em novos meio de comunicação. Os mais recentes, com o apoio do Ministério da Educação, baseiam-se em telecursos televisionados e em aulas transmitidas pela internet com interação entre alunos e professores.

AUDIÊNCIA

A escola pelo rádio da Educadora AM de Bragança nasceu antes do Minerva e sobreviveu às mudanças nas regras de educação de base do MEC. Hoje, 309 alunos acompanham regularmente as aulas e cumprem pelo rádio o calendário escolar tradicional, o mesmo das escolas presenciais. A maioria deles mora em comunidades rurais ou vilas de pescadores na região do salgado, longe das salas de aula convencionais. Em algumas destas localidades, não há energia elétrica, linhas telefônicas e pontos de acesso à internet.

O Serb é conveniado à Secretaria de Estado de Educação (Seduc) há 27 anos. O salário dos professores, pago pelo Estado, e o material didático utilizado pelos alunos - o mesmo da escola regular - são as únicas contribuições do governo na iniciativa da rádio-escola. A escola radiofônica é integrada à coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Secretaria de Educação e oferece, hoje, a terceira e a quarta etapa, que correspondem aos conteúdos de 5ª a 8ª série.

Comunidades sofrem com o isolamento
'O rádio, que em muitos estados já é uma realidade superada, no Pará, ainda é uma realidade necessária', afirma a professora Adelaide Brasileiro, coordenadora do EJA/Seduc. Adelaide afirma que as comunidades mais distantes que as ondas da Educadora de Bragança alcançam dificilmente poderiam ser atendidas satisfatoriamente pelo ensino convencional, aos moldes da educação presencial. 'Nessas localidades em que nem o telefone chegou, onde computador e internet não existem, o rádio ainda é uma tecnologia viável. Um aliado da educação que não deve ser descartado', diz.

Os alunos que acompanham regularmente as aulas pelo rádio, segundo a coordenadora do EJA no Pará, têm bom desempenho nos exames supletivos aplicados para ingresso no ensino médio. A professora Adelaide Brasileiro afirma que entre os que conseguem ser aprovados nos exames na região nordeste do estado, há um número expressivo de alunos da Educadora de Bragança. Mesmo aqueles não matriculados no Serb e que apenas acompanham as aulas, sem vínculos com a escola, conseguem bons resultados. 'Nós temos encontrado entre os aprovados um número significativo de pessoas que estudaram com a ajuda das aulas pelo rádio, mesmo não matriculadas na escola', reforça Adelaide.

Embora comemore os resultados, a coordenadora do EJA fala também da 'necessidade urgente' de elaboração de um material didático que atenda às necessidades dos alunos do sistema radiofônico. Os livros para o acompanhamento das aulas, segundo ela, devem ser elaborados pelos próprios professores, levando em consideração os problemas detectados por eles no dia-a-dia de aulas. Por enquanto, as dificuldades com o material, o mesmo distribuído aos estudantes das escolas presenciais, são contornadas com criatividade.

'Imagina uma aula de geometria em que o aluno não pode ver a explicação no quadro', diz Luciano Borges, professor da escola radiofônica de Bragança há quatro anos. 'A dinâmica da aula é diferente e tem que ser assim. É de repetição, de retomada dos assuntos mais complicados. Há toda uma preocupação em se falar pausadamente e em dar ênfase naqueles itens que o aluno do rádio, ou qualquer outro aluno, sentiriam dificuldade. O ideal é que o professor indique para o aluno a página e o material que ele deve acompanhar, como acontece dentro de uma sala de aula'.

Extraído de Jornal O Liberal
http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=247&codigo=446549